Leptospirose

Agente Patogénico

  1- Leptospirose agente patogenico
Os Roedores são os principais agentes na transmissão da Leptospira spp.

Existem vários serótipos da espécie Leptospira interrogans: Leptospira hardjo, L. pomona, L . icterohemorrhagiae, L. canicola e L. grippothyphosa.
Etiologia
A Leptospirose é responsável por elevadas perdas económicas devido a abortos, redução da produção de leite, mortalidade em vitelos e ganhos de peso médio diário reduzidos. Podem ser afectados roedores, suínos, equinos, ovinos, caprinos, cães e seres humanos.

Animais que recuperam de infecções e hospedeiros reservatório excretam a bactéria na urina durante longos períodos de tempo. Pastos, água de bebida e alimentos podem ser contaminados por urina infectada, fetos abortados ou descargas uterinas de ruminantes infectados.

O microorganismo tem a capacidade de sobreviver no ambiente durante semanas na presença de condições favoráveis ( 7 a 36ºC, humidade e cursos de água perto dos pastos ou parques). As leptospiras penetram através de lesões na pele ou mucosas da boca, nariz e olhos. A sua replicação dá-se no fígado e rim.

Sinais Clínicos
São frequentes os abortos no último trimestre de gestação, 3 a 10 semanas após infecção sistémica e infecção do feto. O início da infecção é acompanhado por um decréscimo na produção de leite, leite espesso amarelado ou tingido de sangue. Frequentemente o úbere apresenta-se flácido e sem sinais de inflamação. Muitas vacas não demonstram qualquer sintomatologia clínica antes de abortarem, semanas após a infecção.

Vitelos até um mês de idade são mais susceptíveis à infecção sistémica. Vitelos infectados nesta idade apresentam icterícia, hemoglobinúria, depressão, taquicárdia, hemorragias, e mucosas pálidas devido a anemia. A temperatura corporal pode atingir 40-41ºC, a hemoglobinúria dura 3 a 4 dias e a morte pode ocorrer em 4 a 5 dias. A taxa de mortalidade é de 5 a 15% e os animais que recuperam têm normalmente taxas de crescimento reduzidas e fracos ganhos médios diários de peso.

Diagnóstico

2-Leptospirose-diagnostic

A ocorrência de abortos no último trimestre de gestação, decréscimo na produção de leite prolongado, leite espesso amarelado ou tingido de sangue, hemoglubinúria e icterícia podem indicar a presença de leptospirose.

Para confirmação do diagnóstico devem ser realizadas análises serológicas, microbiológicas ou por técnica de PCR.
 
Títulos de anticorpos elevados indicam aborto por leptospira. O microorganismo pode ser identificado na urina duas semanas após a infecção. Os fetos abortados estão normalmente autolizados, edematosos e ictéricos. Os fluidos de rins e fígado fetais devem ser submetidos ao laboratório para confirmação da presença de leptospiras. É igualmente possível identificar leptospiras em amostras de sangue de animais severamente infectados através de técnicas de imunofluorescência.

Diagnóstico Diferencial
Hemoglobinúria e/ou anemia:
Babesiose, anaplasmose, envenamentos por algumas substâncias, hemoglobinúria pós-parto, hemoglubinuria bacilar, anemia hemolítica.
Aborto:
IBR, BVD, campilobacteriose, brucelose, listeriose, salmonelose, febre Q, abortos provocados por clamídeas, abortos provocados por fungos.
Prevenção
  • Vacinar os todos os bovinos com 6 meses ou mais de idade;
  • Reforço vacinal 4 semanas após primo-vacinação;
  • Reforçar vacinação anualmente a meio da gestação ou na secagem, dependendo das recomendações do fabricante da vacina;
  • Isolar vacas abortadas;
  • Remover os produtos de abortos das instalações e parques (utilizar luvas!);
  • Controlo de roedores;
  • Controlo de moscas;
  • Desinfecção;
  • Separar suínos de ruminantes caso seja uma exploração mista;
  • Separar através de vedações os ruminantes dos javalis;
  • Impedir o acesso dos animais a riachos e lagos,
  •  Evitar a acumulação de lamas ao redor de cursos de água;
  • Devem ser realizados testes serológicos nas vacas de aptidão leiteira.
Tratamento
O tratamento passa pela utilização de antiinfecciosos. A administração de estreptomicina, clortetraciclina ou oxitetraciclina em fases iniciais da infecção reduz o número de leptospiras nos tecidos e a quantidade de microorganismos excretados. As vacas em gestação deverão ser vacinas com vacinas mortas.

Os produtores devem ser aconselhados a isolar as vacas abortadas e a procederem à remoção dos produtos dos abortos e respectiva desinfecção dos locais e materiais contaminados.

Bibliografia
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